sexta-feira, 16 de maio de 2008

O Show de Truman e a Alegoria da Caverna.


Sinopse do Filme Show de Truman

Sinopse:O vendedor de seguros Truman Burbank (Jim Carrey) vive em Seaheaven, um paraíso terrestre onde todos parecem conviver em perfeita harmonia. Mas, seu casamento com Meryl (Laura Linney) não anda muito bem e, pra piorar, ele sente-se constantemente vigiado.

Decidido a investigar se realmente o estão espionando, Truman começa a perceber uma séries de situações estranhas, que aguçam ainda mais suas dúvidas e levam-no à descoberta: sua vida é um show de tv.

Abandonado pelos pais ainda bebê, Truman é adotado por uma rede de televisão que o cria num mundo irreal: a cidade onde vive é um imenso cenário, sua esposa, amigos, vizinhos, todos são atores contratados. Sua vida é uma farsa, acompanhada por milhares de telespectadores.

A partir de então sua luta é para libertar-se e poder viver verdadeiramente.

(retirado de http://www.webcine.com.br/filmessi/truman.htm)


O mito da Caverna de Platão e o filme Show de Truman.

Podemos entender o filme “Show de Truman” como uma versão moderna do “Mito da Caverna” de Platão. É possível identificar no filme diversos elementos que permitem a associação das duas narrativas. Outras obras cinematográficas recentes apresentam similaridades com o antiquissimo mito de Platão, o popular filme Matrix é uma delas.

Alguns dos elementos do filme “Show de Truman” que revelam o paralelo entre a obra de cinema e o mito Platônico:

  1. A “Caverna das Aparências” de Platão funciona como um cativeiro, e os prisioneiros que habitam seu interior, acreditam que as sombras que vêem projetadas dentro dela são a realidade (os prisioneiros vivem sendo enganados por um processo de ilusão que fazem eles tomarem o falso como verdadeiro).

    A ilha de Seaheaven é um grande cenário (um mundo falso) que também funciona como um cativeiro para o protagonista do filme Truman Burbank, que vive sua vida dentro dela sem saber que é o astro de reality show exibido em uma rede de televisão.

  1. Os prisioneiros do mito da caverna estão algemados, estas algemas representam os pré-conceitos e pré-juízos das pessoas comuns. O pensamento irrefletido do dia a dia (do cotidiano).

    O que prende Truman Burbank na ilha, é a rotina (seu cotidiano) e todas as estratégias subjetivas pensadas e aplicadas pelos mentores do reality show para torna-lo uma pessoa passiva, alienada e conformista.

  1. Um dos prisioneiros da caverna se torna um sujeito questionador e a partir daí percorre um doloroso caminho para fora da caverna.

    Truman também começa a questionar o mundo a sua volta e a partir daí percorre um árduo e doloroso caminho para sair da ilha e conhecer o mundo real.

  1. Nos dois casos sair da ilha é um risco, é perigoso. Ambos personagens arriscam a vida nas narrativas, Truman para conseguri sair da ilha e o prisioneiro da caverna ao retornar para libertar seus amigos de cativeiro.

  2. Ambos os personagens buscam o caminho do novo, motivados por um desejo de saber para além do que conhecem.

O Show de Truman e a nossa sociedade do espetáculo.

Tudo no filme acontece dentro de um show de TV, quando assistimos com atenção é difícil não relacionar o mundo de Truman (onde vigora o poder de ilusão dos meios de comunicação) com o nosso mundo real.

Hoje os meios de comunicação são os veículos mais poderosos de propagação de opiniões e saber duvidoso. Ao paramos na frente do televisor, não seriamos também um prisioneiro do mundo das aparências?



Quem não viu o filme em minha aula, veja alugando. realmente vale assistir.




domingo, 4 de maio de 2008

Platão e o Mito da Caverna



O Mito da Caverna:
É uma metáfora apresentada pelo Filósofo Platão para ilustrar sua crítica ao mundo das aparências.

Primeiro momento: A prisão
O mito: Diversos indivíduos vivem em uma caverna presos por grilhões. Estes prisioneiros observam o movimento das sombras que são projetadas em uma parede por um feixe de luz que entra através de uma fenda. Sem saber da existência do mundo fora da caverna os cativos acreditam que estas sombras que refletem o contorno das coisas reais de fora da caverna são a própria realidade.
O Significado:
  • A caverna: representa o mundo da aparência.
  • Os prisioneiros: as pessoas comuns em sua vida rotineira.
  • Os grilhões: os preconceitos e opiniões que mantém as pessoas em estado de ignorância.
  • As sombras: Ilusões, falsas “verdades” que levam o homem ao erro (fazendo-os pensar que o que parece ser é).

Segundo momento: A Fuga
O mito: Um dos prisioneiros foge da caverna, rompendo suas algemas e enfrentando um sofrido caminho de fuga.
O Significado:
  • O fugitivo: é o sujeito questionador que não se contenta em aceitar passivamente as coisas.
  • O caminho para liberdade: é o caminho da crítica.
  • O sofrimento provocado pela caminhada: representa à resistência as novas idéias, a reação inicial de estranheza ou negação diante a novidade e inovação.
  • A ferramenta que liberta o prisioneiro: é a filosofia.

Terceiro momento: A contemplação
O mito: O fugitivo encontra a saída e do lado de fora da caverna, depois de se acostumar com a claridade observa o sol no alto do céu.
Significado:
  • O lado de fora da caverna: representa a realidade.
  • O sujeito que saí da caverna: é o sábio (o Filósofo).
  • O sol: a verdade.

Quarto momento: O Retorno
O mito: O fugitivo retorna a caverna para libertar seus amigos de masmorra.
Significado:
  • O fugitivo é o educador, o político, o filósofo.
  • A morte: representa a força da resistência do velho e do poder consolidado, a passividade e conformismo contra a criatividade e inovação.

(Versão reduzida e estilizada do Mito para fins pedagógicos)

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Sócrates

Quem foi Sócrates

O Filósofo:
  • Filosofo conhecido como “Patrono” da filosofia ocidental, embora não tenha sido o primeiro pensador “grego”da antiguidade, compõem junto com Platão e Aristóteles, o trio de pensadores que lançou as bases para o desenvolvimento do que conhecemos como filosofia no ocidente.
  • Sócrates viveu em Atenas no século V.ac, nada escreveu e o que sobreviveu de seu pensamento foi divulgado por seus discípulos.
O Questionador:
  • Era conhecido por passar horas discutindo em praça pública, questionando os que por ali passavam sobre diversos tipos de questões.
  • Tinha como objetivo destas suas abordagens e questionamentos, demonstrar para as pessoas que muitas vezes o que no dia a dia acreditamos saber ser verdadeiro, não é (tomamos o falso como verdadeiro) e que para se chegar a verdade de fato faz-se necessário um esforço reflexivo que nos faça superar as crenças e opiniões estabelecidas.
O Pensador Subversivo:
  • Sócrates era conhecido em sua época por ser um homem muito inteligente e pelo poder de atração de sua fala.
  • Ao longo de sua vida atraiu inimigos poderosos e teve um fim trágico, sendo condenado a morte por envenenamento por supostamente negar os deuses gregos (helênicos) e perverter a juventude (no sentido de levar os jovens rebeldia).
  • Podemos dizer que a postura crítica diante o mundo adotada e pregada por Sócrates, foi um fator determinante em sua condenação. Já que foi sua atitude subversiva frente a ordem estabelecida, que fez dele um inimigo da elite ateniense que o condenou a morte.

Sua Filosofia
  • A principal característica da filosofia socrático é o seu carácter crítico, que baseia-se na ideia de abandono de um saber irrefletido (que parece ser) e de necessidade de um esforço reflexivo para o alcance do saber verdadeiro (que é).
  • Para Sócrates a maioria das pessoas viviam fundamentadas em crenças e opiniões erradas sobre as coisas, tomando o falso como verdadeiro. Fato que acarretava muitos problemas a sociedade. Justamente por isso as pessoas tinham de se tornar mais críticas, abandonar o saber irrefletido e buscar o saber verdadeiro através da filosofia.
  •  
O Método Socrático.

É composto por duas etapas:

  • Ironia: Consiste na destruição da ilusão de conhecimento (Sócrates questiona seu interlocutor visando derrubar a sua certeza inicial).

  • Maiêutica (parto de ideias): Consiste na busca pela verdade (estudo para se alcançar um saber verdadeiro que supere o nível das crenças e opiniões).