sexta-feira, 13 de março de 2020

Qual o papel do Filósofo em uma pandemia?

Séries e filmes sobre cenários apocalípticos são um sucesso na indústria do entretenimento. Normalmente os protagonistas são sujeitos armados, militares ou policiais. Neste tipo de ficção se destacam também os médico e cientistas que acabam sendo extremamente útil dado os problemas biológicos e de todos os tipos de ferimentos causados aos personagens. No que diz respeito a significação moral dos acontecimentos vez ou outra surge o sacerdote que é introduzido para trazer um conforto existencial a psique abalada dos sobreviventes. Mas e o filósofo, ele seria inútil? Por que nunca vemos um filósofo em uma destas obras?

Se tomarmos a filosofia como um conhecimento relacionado a criação de conceitos, e estes como ferramentas mentais para se pensar a "realidade" a filosofia é imprescindível. É ela que tem a capacidade de problematizar o que esta dado em seu significado mais radical. Seria ela a ferramenta para reflexão sobre o "estado de natureza" produzido nos cenários de "terra arrazada" das ficções. Seria ela que possibilitaria os personagens pensarem um novo mundo para além dos erros que rolaram no passado e viver em meio a falta de perspectiva do presente.

Quando o filósofo Zizek discute sobre o poder subversivo do coronavírus ele está se referindo evidenciando o poder do filósofo. É claro que não vivemos hoje um apocalipse zumbi, mas este tipo de ficação em muito reflete a crise que vivemos. Uma crise despertada por um vírus, mas inevitavelmente também é  econômica e social. 

Frente a um mundo capitalista neoliberal a crise que se apresenta é uma oportunidade de reflexão, ela nos dá uma chance de captar os limites do sistema constituído e de perceber a necessidade de apontar um outro mundo. Frente a esta pandemia o império das fakes desmorona,  pois só a ciência e a informação acertada podem nos orientar. A "mão invisível do mercado" mostra sua perversidade porque fica evidente a importância de sistemas de saúde pública e da intervenção social do Estado na economia. A lógica mercadológica do capitalismo mundial demonstra suas fragilidades.

É hora de pensar as relações entre o indivíduo e o coletivo, entre a liberdade e a responsabilidade, entre a vida e o lucro, entre o ético e o poder. Em tempos como o nosso a filosofia é imprescindível não só para pensar o hoje, mas porque nos permiti problematizar o que temos para nos possibilitar um novo amanhã.

https://outraspalavras.net/crise-civilizatoria/zizek-ve-o-poder-subversivo-do-coronavirus/

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