terça-feira, 4 de maio de 2010

A "Veja" contra a lei de obrigatoriedade de Filosofia e Sociologia no Ensino Médio.

A mídia burguesa e a educação brasileira
A revista Veja publicou uma matéria em seu site no dia 31/03/2010 (http://veja.abril.com.br/310310/ideologia-cartilha-p-116.shtml) fazendo duras críticas ao ensino de Sociologia e Filosofia no ensino médio, que a partir deste ano é obrigatório em todos os anos do ensino médio. A crítica principal se direciona aos currículos elaborados pelas secretarias estaduais de educação que segundo a revista, seriam “um festival de conceitos simplificados e de velhos chavões de esquerda”, citando vários estados brasileiros. Seus “profundos” comentários se direcionam também aos cursos de Ciências Sociais, que segundo o autor “se ancoram no ideário marxista”. É citado também uma fala do diretor de um colégio particular de São Paulo: “Está sendo duríssimo achar professores dessas áreas que sejam desprovidos da visão ideológica". Para concluir a o artigo, o autor reproduz o pensamento de um funcionário da própria revista que diz “Os países mais desenvolvidos já entenderam há muito tempo que é absolutamente irreal esperar que todos os estudantes de ensino médio alcancem a complexidade mínima dos temas da sociologia ou da filosofia - ainda mais num país em que os alunos acumulam tantas deficiências básicas, como o Brasil".
            Primeiramente, precisamos reconhecer que o papel da grande mídia no sistema capitalista jamais será neutro, pois as comunicações são os instrumentos de difusão e reprodução de ideologias (tanto no sentido comum, como no sentido marxista), que tem por função representar mentalmente as relações sociais, inclusive a educação.
 É sabido que o setor de comunicação no Brasil é dominado por pouquíssimos grupos, que conseguem reproduzir o seu poder por décadas. Entre os principais estão as organizações Globo e o Grupo Abril, que só para se ter uma idéia, é dono dos seguintes meios de comunicação: Editora Abril (Revistas Veja, Quatro Rodas, Placar, Playboy, Vip, Claudia, Caras, etc), Editora Ática e Scipione, MTV Brasil, TVA, etc. Além destas o grupo já foi dono da Directv, ESPN, HBO Brasil, BOL, UOL, etc. A família Civita, proprietária do grupo associou-se em 2006 à Naspers, grupo de mídia Sul-Africano, estreitamente ligado ao Partido Nacional, de extrema-direita, que legalizou o regime do Aparthied naquele país no pós 2º GM. Então não estamos falando de uma revista, mas da aristocracia que controla a mídia no Brasil, que reproduz a ideologia dominante e contribui para a preservação o staus quo.
            O ilustre artigo considera a orientações curriculares das Secretarias de Educação esquerdistas. Porque obviamente, para a revista Veja os governos estaduais aliados do governo federal são de esquerda, como o nosso querido Sérgio Cabral (um revolucionário!), então as suas Secretarias tentariam difundir o marxismo, assim como os cursos de Ciências Sociais e Filosofia. Basta analisar as propostas de orientação curricular do Estado deste ano para Sociologia e Filosofia, que fica evidente que o conteúdo a ser aplicado em sala de aula não tem nada a ver com doutrinamento esquerdista.
            O autor quer passar a idéia de que os professores de Sociologia e Filosofia são “ideológicos” em frase reproduzida no texto e no próprio título, Ideologia na cartilha, o que demonstra uma profunda ignorância sobre o conceito e sobre o debate sobre a objetividade da ciência. Eu pergunto ao autor: Onde não há ideologia? Até na matemática, na física ou na Educação Física existe ideologia. Quando aprendemos uma determinada fórmula matemática ou uma determinada regra esportiva, poderemos até nos esquecer dela depois, mas a organização mental que foi feita para que aprendamos mesmo que superficialmente estes conceitos ficam em nossa mente. A ciência é ideológica! Todas as nossas idéias são!
            A Sociologia e a Filosofia por lidarem com valores sociais, com a nossa cultura, com a nossa visão de mundo estão um pouco mais vulneráveis à interferência da subjetividade individual, e até Max Weber, ferrenho crítico do marxismo, não cria na possibilidade da imparcialidade total no estudo da sociologia, pois a própria escolha do objeto de estudo já é subjetiva (o termo ideológico não caiu bem no artigo do autor- isso sim é vulgar) mas dizia que ela deve ser buscada.
            Isso não quer dizer de forma alguma que os professores de Sociologia e Filosofia sejam doutrinadores marxistas, até porque a maioria deles não são sequer marxistas. Quem vive ou conhece o mundo acadêmico e profissional associado às disciplinas de humanas, sabe que o pensamento de esquerda entre os intelectuais brasileiros não está assim tão em “moda”. Hoje nas Universidades o que vigora é um grande refluxo da difusão dos pensamentos de esquerda. Não é coincidência que nas duas disciplinas exista uma tendência ao esvaziamento de matérias e pesquisas que discutam Marx e autores marxistas.
O Nosso papel é ajudar os estudantes a desenvolverem o senso crítico e conhecer a realidade social do mundo onde vivem de forma a compreender que eles são atores sociais, um cidadão e não um mero espectador; que eles têm poder de intervir no mundo onde vive e para isso precisam conhecer a realidade social. Os conhecimentos de Filosofia e Sociologia são imprescindíveis para o exercício da cidadania. A matemática e todas as outras disciplinas são importantes sim. Uma disciplina não é concorrente da outra, são complementares de um único ser humano. E não é “irreal”, que os nossos estudantes não são capazes de “alcançarem uma complexidade mínima dos temas da sociologia ou da filosofia” como reproduziu o autor. Se a educação que oferecemos à população não é melhor, é devido ao descaso dos governos, seguindo a cartilha educacional dominante, de desmonte da educação pública.
            Segundo o autor deveríamos seguir o modelo de “países mais desenvolvidos”. Mas quais seriam estes? Qual é a concepção de educação que está sendo difundida? Seria aquela mecanicista, reprodutivista, que conhecemos bem? Tenho certeza que não é uma educação libertadora como a propagada por Paulo Freire, um verdadeiro educador.
 Ideológico é o artigo da Veja e as publicações do Grupo Abril, que reproduz trechos das orientações curriculares das Secretarias Estaduais de Educação com comentários embaixo, como se os leitores não fossem capazes de pensar por si mesmos. Cadê a liberdade de pensamento? Antes que pensemos, e Veja já nos diz o que devemos achar. É como um programa humorístico que coloca risadas no fundo para nos avisar quando devemos rir...
             Para concluir eu queria deixar uma questão: porquê o ensino de Sociologia e Filosofia, que só começou agora e ainda está em processo de consolidação, está incomodando tanto a aristocracia midiática brasileira?



Autores: 


Vitor Hugo Fernandes de Souza (Professor de Sociologia do Estado do Rio de Janeiro) e DiegoFelipe de Souza Queiroz (Professor de Filosofia do Estado do Rio de Janeiro).

Nascimento da Filosofia.

Milagre Grego?

Consideramos ao estudar filosofia, que esta disciplina nasceu na grécia antiga. Mais precisamente nas colônias gregas na Ásia menor, entre os séculos VI e VII a.C.
É importante comentar que dizer que a filosofia tem origem na Grécia antiga, não significa negar que outras civilizações contemporâneas e mais antigas que a Grécia tenham produzido sistemas de saberes elaborados. Cada vez mais, através de descobertas históricas e arqueológicas é ratificado que na África e no oriente diversas culturas já haviam desenvolvido pensamentos complexos. E também cada vez mais aceito a idéia de que os antigos gregos tiveram contato com culturas e pensamentos do oriente. Desta forma, que a filosofia não é fruto de um "milagre grego", como alguns historiadores defendiam no passado.A filosofia nasceu na Grécia, mas surgiu devido a condições históricas, dentre as quais o contato dos gregos com outras culturas.
A filosofia é de origem grega, mas dizer isso significa apontar apenas que esta disciplina, tal como a entendemos no ocidente nasceu na Grécia antiga e não mais que a filosofia tenha sido criada "do nada" por gregos isolados do mundo.

Condições histórica para o surgimento da Filosofia:

Muitos acontecimentos históricos possibilitaram o surgimento da filosofia na Grécia Antiga. De eles:
1. As viagens marítimas: que produziram o desencantamento e desmistificação do mundo grego, aumentar o conhecimento do homem sobre o mundo que vivia.

2. A invenção do calendário: Que permitiu a percepção do tempo como algo natural e o controle de processos naturais antes associados a forças místicas.

3. A invenção da moeda: que aumentou o poder de abstração e de generalização do gregos.

4. O surgimento da vida urbana: que fez diminuir o prestigio e poder dos aristocratas ligados a terra que tinham os Mito como base de justificação cultural de seu poder político, e o surgimento de uma classe de comerciantes que para contrapor o poder da aristocracia dos detentores de terra procurava prestígio patrocinando novos tipos de pensamento.

 5. A invenção da política: O surgimento da ideia de espaço público que faz surgir a  Palavra discurso (racional, e "democrática") que se opõem a palavra mágico-religiosa (inquestionável, restrita). Além da valorização do mundo humano e de sua capacidade de discutir e decidir de forma racional, contrapondo o caráter sagrado e irracional da palavra magico-religiosa. 

A palavra Filosofia:

A palavra filosofia é grega e composta de duas outras:

Philo (aquele que que tem sentimento amigável, pois deriva de Philia, que significa amizade e amor fraterno)

Sophía (que quer dizer sabedoria)
Neste contexto podemos entender:

Filosofia =  (Amor a Sabedoria, ou ainda Respeito ou amizade pelo saber)

Filósofo =  (Aquele que Ama o saber, ou ainda aquele que tem amizade ou respeito pelo saber)

Como uma metáfora para falar do caráter da Filosofia, Pitágoras dizia que existiam três tipos de homens entre aqueles que iam assistir os jogos olímpicos:

1. Os que iam aos eventos para vender, para satisfazer sua cobiça sem se interessar pelo torneio em si.

2. Os que iam aos eventos para competir, e aumentar o próprio prestígio.

3. Os que iam para assistir os jogos para avaliar o desempenho e julgar o valor dos que ali se apresentava.

Para Pitágoras esse terceiro tipo de pessoa é como o filósofo, pois: Ele não é movido por interesses financeiros (também não considera que o saber seja uma propriedade sua que possa ser vendida), não é movido pelo desejo de competir (não é um atleta intelectual que procura fama e vencer aos adversários). Ou seja o filósofo é movido pelo desejo de observar, contemplar, julgar e avaliar as coisas, as ações, os acontecimentos e a vida. O Filósofo é movido pelo desejo de saber.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Mito

O que é mito.
O mito é uma narrativa explicativa sobre a natureza e origem das coisas. Narram e explicam a realidade  humana, a origem das coisas e de fenômenos naturais a partir da ação de forças sobrenaturais (divinas).


Mitologia grega.
O mito era  um dos pilares da cultura grega antiga e por diversos motivos relaciona-se ao desenvolvimento das ciências e saberes inaugurados pelos helênicos.
As histórias dos mitos gregos eram criadas pelos aedos (sujeitos que acreditava-se serem escolhidos pelos deuses para contar como foram criado as coisas no passado priordial) e disseminados pelos rapsodos (poetas e cantores andarilhos que espalhavam as histórias dos aedos por toda Grécia).


Funções do mito.
Podemos apontar como funções do mito:

  • Fazer compreender e explicar: O mito é uma compreensão intuitiva da realidade com base na sensibilidade e emotividade, através dele os gregos entendiam e explicavam o mundo que os cercava.
  • Tranqüilizar: O mito tranquiliza o ser humano diante do desconhecido e desconfortável. Possibilitando os homens viverem em um mundo ameaçador.
  • Transmitir valores e criar modelos de comportamento e ação: O mito propaga valores, e constrói modelos de comportamento a serem desejados e seguidos (Pensar aqui nos valores transmitidos pelas histórias de Homero que serviam deliberadamente para educar o grego. Histórias que exaltavam a honra, a coragem e outras qualidades dos heróis da guerra de Troia.).
Mito e filosofia.

A Relação entre mito e filosofia é dúbia:
  • Por um lado e positiva, pois a filosofia é de certa forma uma continuidade do mito: A filosofia utiliza-se da base cultural do mito para se colocar, além de muitas vezes usar suas estruturas de argumentação.
  • Por outro lado e negativa, pois rompe com o mito: O pensamento filosófico ao contrário do mítico esta inevitavelmente ligado ao questionamento e a razão, é uma nova forma de se pensar e entender a realidade e as coisas.

sábado, 25 de outubro de 2008

O Mito da Caverna e Método socrático entendido como processo de conscientização


O Mito da Caverna e Método socrático entendido como processo de conscientização.

Tanto o Método Socrático quanto o Mito da Caverna podem ser entendido como um processo de consciêntização, onde através de uma postura crítica "o sujeito" abandona uma posição inicial de alienação e falso saber para galgar uma posição crítica que lhe garante a possibilidade de obtenção de um saber mais elaborado e seguro e também um estado diferêncial de consciência, já que como "sujeito crítico" este se reconhece como elemento ativo e não mais como mero elemento passivo diante o conhecimento e as coisas.


Método Socrático:

Saber comum Ironia Maiêutica

(Saber Irrefletido) (Momento da Critica) (Busca pela Verdade)
----------------------------------------------------------------->
Sujeito Passivo Sujeito Crítico
(Alienado) (Consciente)

Mito da Caverna:

Prisioneiro Fugitivo Livre
(Alienado, Passivo (Consciente, Ativo, Sábio)
Iludido)

domingo, 19 de outubro de 2008

Atitude Crítica e Reflexão Filosófica


A Atitude Crítica
Eu sei que pode parecer simplista ou até mesmo maniqueísta a divisão e oposição teórica de dois tipos de consciência e atitude diante as coisas do mundo. Porém didaticamente uma divisão "simbólica" neste sentido pode não ser equivocada, já que um dos principais objetivos do estudo da disciplina Filosofia (se não o principal objetivo) é o desenvolvimento de uma consciência e postura crítica diferenciada.
De certa forma todas as discussões que ocorreram até este momento em nossas aulas se relacionam ao desenvolvimento de uma maneira diferenciada de pensar e encarar as coisas do mundo. Tanto o Método Socrático quanto a Alegoria da Caverna afirmam que para conhecer verdadeiramente as coisas é necessário o abandono das crenças e opiniões que são irrefletidamente estabelecidas e aceitas, e uma busca por um saber mais preciso e elaborado.
A Filosofia Socrático-Platônica trabalha com uma distinção fundamental em relação ao saber, que é: Aparência X Verdade.
Utilizando-se desta distinção podemos identificar dois tipos opostos de saberes: o saber comum (que pode ser relacionado à aparência) e o saber crítico (relacionado a uma busca mai elaborada pela verdade):

Abaixo segue um esquema para facilitar a compreder esta distinção:
O Saber do Cotidiano. ( do Senso Comum)
  • É o Saber do “dia a dia”, no qual a maioria das pessoas baseiam suas ações.
  • São baseados em crenças, dogmas e opiniões, ou seja, saberes irrefletidos, não questionados, não examinados.
  • Podem facilmente levar o sujeito ao erro, fazendo os sujeitos tomarem o não-verdadeiro como verdade.
O Saber promovido pela crítica. (do Bom Senso)
  • É o saber do sujeito questionador que através de uma postura crítica diante o conhecimento e as coisas, procura superar o saber irrefletido e impreciso do cotidiano.
  • Saber baseado em questionamentos, na crítica.
  • É um saber “mais preciso” e elaborado, pois se baseia em interrogações.

    A Atitude Crítica e a Filosofia.
    Se pensarmos nas formas que o pensamento e ações humanas podem se relacionar com o conhecimento e o mundo a nossa volta. Podemos discernir dois campos típicos, distintos e opostos de consciência e atitude:
    • O Primeiro caracterizado pela aceitação quase irrestrita do saber do cotidiano. É o saber do sujeito comum, conformado e passivo. (Atitude Costumeira)
    • O Segundo caracterizado pela busca perpétua por um saber mais elaborado e preciso. Busca esta empreendida pelo sujeito questionador.
    Esta segunda forma de se relacionar com o saber e as coisas do mundo se chama Atitude crítica (é a atitude típica do Filosofo).
    A palavra crítica.
    • Normalmente as pessoas associam a palavra crítica a ir contra alguma coisa, falar mau de algo ou apontar um erro.
    • No entanto o significado original da palavra se relaciona com a capacidade de julgar, avalia, e examinar racionalmente e detalhadamente uma idéia (ou um valor, um comportamento, uma obra e etc.).
    • Quando falamos do significado da palavra crítica, podemos ter em mente o trabalho do crítico de música ou de arte que em tese, é o profissional que através de um estudo racional julga e avalia as obras artísticas (uma música, um álbum musical, um quadro e etc.).
    A atitude crítica (ou filosófica) é dupla:
    • Por um lado ela nega os saberes estabelecidos, os pré-conceitos e os pré-juízos.
    • Por outro ela interroga sobre o que, o porquê, e como das coisas que nos cercam.
    *  O que impele o homem a Atitude Crítica é o desejo de saber que nasce da percepção das contradições, incoerências e inconsistências das crenças cotidianas.
    *  Os momentos de crise (momentos que as explicações estabelecidas não dão conta de resolver e pensar os problemas e realidade discutida) são momentos especialmente férteis para o exercício da crítica (e assim sendo também da filosofia).  
    * As três perguntas colocadas pela Atitude Filosófica são: Perguntar o que é ? (A Significação), perguntar porque é ? (A Causa), perguntar como é ? (A estrutura” ou “sistema).


    Reflexão Filosófica

    A palavra Reflexão: Etimológicamente significa movimento de volta sobre si mesmo ou movimento de retorno sobre si.

    A reflexão Filosófica: é o movimento pelo qual o pensamento, examinando o que é pensado por ele, volta-se para si mesmo ou movimento de retorno a si mesmo. Pensar o pensamento.



    A reflexão filosófica organiza-se em torno de 3 questões:

    1 Porque pensamos o que pensamos (motivos)
    2 O que queremos pensar quando pensamos (conteúdo)
    3 Para que pensamos o que pensamos (finalidade)







    sexta-feira, 16 de maio de 2008

    O Show de Truman e a Alegoria da Caverna.


    Sinopse do Filme Show de Truman

    Sinopse:O vendedor de seguros Truman Burbank (Jim Carrey) vive em Seaheaven, um paraíso terrestre onde todos parecem conviver em perfeita harmonia. Mas, seu casamento com Meryl (Laura Linney) não anda muito bem e, pra piorar, ele sente-se constantemente vigiado.

    Decidido a investigar se realmente o estão espionando, Truman começa a perceber uma séries de situações estranhas, que aguçam ainda mais suas dúvidas e levam-no à descoberta: sua vida é um show de tv.

    Abandonado pelos pais ainda bebê, Truman é adotado por uma rede de televisão que o cria num mundo irreal: a cidade onde vive é um imenso cenário, sua esposa, amigos, vizinhos, todos são atores contratados. Sua vida é uma farsa, acompanhada por milhares de telespectadores.

    A partir de então sua luta é para libertar-se e poder viver verdadeiramente.

    (retirado de http://www.webcine.com.br/filmessi/truman.htm)


    O mito da Caverna de Platão e o filme Show de Truman.

    Podemos entender o filme “Show de Truman” como uma versão moderna do “Mito da Caverna” de Platão. É possível identificar no filme diversos elementos que permitem a associação das duas narrativas. Outras obras cinematográficas recentes apresentam similaridades com o antiquissimo mito de Platão, o popular filme Matrix é uma delas.

    Alguns dos elementos do filme “Show de Truman” que revelam o paralelo entre a obra de cinema e o mito Platônico:

    1. A “Caverna das Aparências” de Platão funciona como um cativeiro, e os prisioneiros que habitam seu interior, acreditam que as sombras que vêem projetadas dentro dela são a realidade (os prisioneiros vivem sendo enganados por um processo de ilusão que fazem eles tomarem o falso como verdadeiro).

      A ilha de Seaheaven é um grande cenário (um mundo falso) que também funciona como um cativeiro para o protagonista do filme Truman Burbank, que vive sua vida dentro dela sem saber que é o astro de reality show exibido em uma rede de televisão.

    1. Os prisioneiros do mito da caverna estão algemados, estas algemas representam os pré-conceitos e pré-juízos das pessoas comuns. O pensamento irrefletido do dia a dia (do cotidiano).

      O que prende Truman Burbank na ilha, é a rotina (seu cotidiano) e todas as estratégias subjetivas pensadas e aplicadas pelos mentores do reality show para torna-lo uma pessoa passiva, alienada e conformista.

    1. Um dos prisioneiros da caverna se torna um sujeito questionador e a partir daí percorre um doloroso caminho para fora da caverna.

      Truman também começa a questionar o mundo a sua volta e a partir daí percorre um árduo e doloroso caminho para sair da ilha e conhecer o mundo real.

    1. Nos dois casos sair da ilha é um risco, é perigoso. Ambos personagens arriscam a vida nas narrativas, Truman para conseguri sair da ilha e o prisioneiro da caverna ao retornar para libertar seus amigos de cativeiro.

    2. Ambos os personagens buscam o caminho do novo, motivados por um desejo de saber para além do que conhecem.

    O Show de Truman e a nossa sociedade do espetáculo.

    Tudo no filme acontece dentro de um show de TV, quando assistimos com atenção é difícil não relacionar o mundo de Truman (onde vigora o poder de ilusão dos meios de comunicação) com o nosso mundo real.

    Hoje os meios de comunicação são os veículos mais poderosos de propagação de opiniões e saber duvidoso. Ao paramos na frente do televisor, não seriamos também um prisioneiro do mundo das aparências?



    Quem não viu o filme em minha aula, veja alugando. realmente vale assistir.




    domingo, 4 de maio de 2008

    Platão e o Mito da Caverna



    O Mito da Caverna:
    É uma metáfora apresentada pelo Filósofo Platão para ilustrar sua crítica ao mundo das aparências.

    Primeiro momento: A prisão
    O mito: Diversos indivíduos vivem em uma caverna presos por grilhões. Estes prisioneiros observam o movimento das sombras que são projetadas em uma parede por um feixe de luz que entra através de uma fenda. Sem saber da existência do mundo fora da caverna os cativos acreditam que estas sombras que refletem o contorno das coisas reais de fora da caverna são a própria realidade.
    O Significado:
    • A caverna: representa o mundo da aparência.
    • Os prisioneiros: as pessoas comuns em sua vida rotineira.
    • Os grilhões: os preconceitos e opiniões que mantém as pessoas em estado de ignorância.
    • As sombras: Ilusões, falsas “verdades” que levam o homem ao erro (fazendo-os pensar que o que parece ser é).

    Segundo momento: A Fuga
    O mito: Um dos prisioneiros foge da caverna, rompendo suas algemas e enfrentando um sofrido caminho de fuga.
    O Significado:
    • O fugitivo: é o sujeito questionador que não se contenta em aceitar passivamente as coisas.
    • O caminho para liberdade: é o caminho da crítica.
    • O sofrimento provocado pela caminhada: representa à resistência as novas idéias, a reação inicial de estranheza ou negação diante a novidade e inovação.
    • A ferramenta que liberta o prisioneiro: é a filosofia.

    Terceiro momento: A contemplação
    O mito: O fugitivo encontra a saída e do lado de fora da caverna, depois de se acostumar com a claridade observa o sol no alto do céu.
    Significado:
    • O lado de fora da caverna: representa a realidade.
    • O sujeito que saí da caverna: é o sábio (o Filósofo).
    • O sol: a verdade.

    Quarto momento: O Retorno
    O mito: O fugitivo retorna a caverna para libertar seus amigos de masmorra.
    Significado:
    • O fugitivo é o educador, o político, o filósofo.
    • A morte: representa a força da resistência do velho e do poder consolidado, a passividade e conformismo contra a criatividade e inovação.

    (Versão reduzida e estilizada do Mito para fins pedagógicos)

    sexta-feira, 2 de maio de 2008

    Sócrates

    Quem foi Sócrates

    O Filósofo:
    • Filosofo conhecido como “Patrono” da filosofia ocidental, embora não tenha sido o primeiro pensador “grego”da antiguidade, compõem junto com Platão e Aristóteles, o trio de pensadores que lançou as bases para o desenvolvimento do que conhecemos como filosofia no ocidente.
    • Sócrates viveu em Atenas no século V.ac, nada escreveu e o que sobreviveu de seu pensamento foi divulgado por seus discípulos.
    O Questionador:
    • Era conhecido por passar horas discutindo em praça pública, questionando os que por ali passavam sobre diversos tipos de questões.
    • Tinha como objetivo destas suas abordagens e questionamentos, demonstrar para as pessoas que muitas vezes o que no dia a dia acreditamos saber ser verdadeiro, não é (tomamos o falso como verdadeiro) e que para se chegar a verdade de fato faz-se necessário um esforço reflexivo que nos faça superar as crenças e opiniões estabelecidas.
    O Pensador Subversivo:
    • Sócrates era conhecido em sua época por ser um homem muito inteligente e pelo poder de atração de sua fala.
    • Ao longo de sua vida atraiu inimigos poderosos e teve um fim trágico, sendo condenado a morte por envenenamento por supostamente negar os deuses gregos (helênicos) e perverter a juventude (no sentido de levar os jovens rebeldia).
    • Podemos dizer que a postura crítica diante o mundo adotada e pregada por Sócrates, foi um fator determinante em sua condenação. Já que foi sua atitude subversiva frente a ordem estabelecida, que fez dele um inimigo da elite ateniense que o condenou a morte.

    Sua Filosofia
    • A principal característica da filosofia socrático é o seu carácter crítico, que baseia-se na ideia de abandono de um saber irrefletido (que parece ser) e de necessidade de um esforço reflexivo para o alcance do saber verdadeiro (que é).
    • Para Sócrates a maioria das pessoas viviam fundamentadas em crenças e opiniões erradas sobre as coisas, tomando o falso como verdadeiro. Fato que acarretava muitos problemas a sociedade. Justamente por isso as pessoas tinham de se tornar mais críticas, abandonar o saber irrefletido e buscar o saber verdadeiro através da filosofia.
    •  
    O Método Socrático.

    É composto por duas etapas:

    • Ironia: Consiste na destruição da ilusão de conhecimento (Sócrates questiona seu interlocutor visando derrubar a sua certeza inicial).

    • Maiêutica (parto de ideias): Consiste na busca pela verdade (estudo para se alcançar um saber verdadeiro que supere o nível das crenças e opiniões).
      "SER RADICAL É TOMAR AS COISAS PELA RAIZ" (KARL MARX)

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