sábado, 9 de julho de 2016

Pokémon Go, realidade aumentada e o por vir revolucionário dos games interativos.

Recentemente foi lançado para celulares o jogo Pokémon Go, mais um game de uma famosa franquia de personagens do universo de Pokémon. No Brasil a série animada foi sucesso no final da década de 90 levando a Tv Record a incomodar a até então imbatível rede Globo de TV. Existem muitos games sobre o universo Pokémon, no entanto é a tecnologia empregada neste game possibilita uma nova realidade no que diz respeito a interatividade. O game não se passa em um universo tridimensional virtual criado para a imersão dos jogadores, tal como a maioria dos jogos. Se trata de uma interação totalmente diferente que possibilita a abertura de possibilidades pouco exploradas pela indústria da tecnologia (sobretudo no que diz respeito ao alcance de massas).
 O fundamento do game é a realidade aumentada, ou seja, personagens virtuais em 3d que interagem com o mundo real. Ao invés do jogador se inserir por imersão numa realidade artificial na tela de uma TV, são as animações virtuais que se inserem no mundo real através da tela de aparelhos portáteis (celulares e Smartfones).

Desta forma, o game faz com que os jogadores se relacionarem com o espaço de uma forma totalmente diferente da tradicional. Para caçar os Pokémons não basta parar na frente de uma tela dentro do seu quarto, mas ao contrário disso, faz-se necessário explorar o mundo real. Isso mesmo, as ruas, campos e todo tipo de local ao qual são inseridos as criaturas virtuais por meio da programação do jogo. Mas como isso pode ser possível? Com a realidade aumentada para além do que podemos ver normalmente ao nosso redor, também podemos nos deparar com elementos virtuais programados para serem identificados pelos aparelhos eletrônicos portáteis que abrigam o jogo. Sendo assim, ao olhar para tela do seu celular podemos enxergar na rua pela qual você esta passando (ou qualquer outro tipo de paisagem ao qual você esta inserido) criaturas virtuais programadas por meio de GPS para estarem posicionadas em determinados locais e interagir com os jogadores por meio de sua presença. O nosso mundo se torna o cenário do game, as criaturas 3d passam a abriga-lo e nos podemos interagir com elas.


Já se fala de jogadores que estão se tornando viajantes para ter contato com o maior número de criaturas possíveis, e de interações desastrosas onde em busca das criaturas virtuais jogadores tiveram surpresas desagradáveis (como por exemplo: achar cadáveres reais no local onde deveria estar uma das criaturas virtuais). A abertura tecnológica que o game trás é muito potente, ainda mais com a chegada (e futura massificação) dos óculos de realidade virtual/aumentada que muito provavelmente substituirão os celulares como aparelho tecnológico portátil fundamental. 

Faz algum tempo, jogares de RPG tinham uma modalidade de interação chamada Live, nela os teatralizavam seus personagens e interagiam entre si (muitas vezes com roupas e acessórios que espantavam as pessoas que não estavam participando do jogo). Em breve, este tipo de interação se dará de forma diferente. Ao olhar para uma outra pessoa poderemos ver para além da sua realidade material enxergando uma camada extra de virtualidade, enxergaremos avatares. Rostos de monstros virtuais, armaduras e roupas extravagantes serão informação extra ao nosso mundo através destas novas tecnologias. Jogos baseados na ideia dos "lives" poderão se tornar "moda" novamente, e sem induzir ninguém a andar na rua de sobretudo em um calor de 40 graus para incorporar seu personagem. Claro que a tecnologia não se restringira aos jogos, as informações colocadas pela realidade aumentada invadirá nosso dia a dia. Parece que não falta muito para que a virtualidade se torne uma camada a mais de informação constante em nosso cotidiano. E desta vez não só por meio da tela de TVs, monitores e celulares. Mas sim em todos os lugares que estivermos.

Por: Diego Felipe de souza Queiroz. Professor de Filosofia e pesquisador de tecnologia.

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