A maioria das pessoas possui pouca informação sobre o funcionamento e realidade da internet na ilha de Cuba. Este vídeo tem como objetivo trazer informações a respeito desta temática que é fundamental para qualquer tipo de reflexão sobre a realidade política e social da ilha.
Olhares reducionistas acríticos sempre acabam por nos atrapalhar nos levando a becos sem saída.
É evidente que qualquer pessoa minimamente progressista tem que se posicionar contrários ao embargo e as ações imperialistas contra Cuba. E evidente também que quem é de esquerda precisa defender as conquistas sociais da revolução socialista na ilha. Mas é importante frisar que para isso não podemos desligar nossa capacidade crítica. Quando fazemos isso vamos na contramão destes propósitos.
No fim de semana que se passou tivemos fortes mobilizações na ilha, que emergiram de forma espontânea apesar de todo sistema de controle e coerção colocados pelo governo cubano. Um movimento de composição múltipla e caráter difuso que levantou diversas pautas legitimas, tais como: melhorias das condições sociais (mais acesso a alimentos, eletricidade, vacinação e etc) e aumento de liberdades individuais (liberdade de expressão, de organização e etc). Como resposta as passeatas que ocorreram em diversas cidades do país o governo Cubano partiu para a repressão (utilizando-se para isso da policia, exército e "milícias") e censura (cortando a internet e impedindo a livre circulação de informação). O resultado foi a prisão de centenas de pessoas e um processo de perseguição aos que participaram dos protestos que ainda está em curso.
Neste fim de semana estamos vendo a maioria da esquerda brasileira "emocionada" com a reação propagandística do governo que organizou um grande ato comício em sua defesa. Sei que as reflexões sobre Cuba em nosso país costumam ser conduzidas de forma acrítica em cima de uma visão romantizada da ilha, e que o neostalinismo está na moda. Mas fica aqui o apelo: quem tem a intenção de pensar Cuba hoje sem reducionismos, romantizações e demonizações precisa reforçar o olhar crítico e não calar a razão. Quando governos organizam atos "populares" em defesa de si mesmos através da mobilização de toda a estrutura do Estado temos como resultado algo patético. Inclusive costuma ser um sinal que as coisas não estão nada boas para o poder constituído. Já vimos este tipo de mobilização em outros países, inclusive aqui no Brasil tivemos coisas parecidas. Me lembro por exemplo das passeatas organizadas pelo PMDB no estado do RJ em defesa dos royalties do petróleo. Centenas de ônibus fretados com funcionários de cargo comissionados mobilizados para encher as ruas para defender algo que não fazia muito sentido para a maioria da população (que estava fora do debate concreto desta pauta).
Não precisamos insistir nesta ideia de que todos estamos refém de uma prova de múltipla escolha, sendo obrigado a escolher entre apoiar o embargo ou o atual governo cubano. Sempre podemos mais do que isso.
Neste bate papo iremos conversar sobre Cuba hoje, discutindo os temas da atual reforma econômica, crise política que ganhou espaço em todos os noticiários. Também discutiremos sobre o uso da internet na ilha. A ideia aqui é possibilitar reflexões críticas para além de romantizações e demonizações.
Cuba é um país com uma história incrível de lutas e resistências. Hoje, bem depois do fim da guerra fria e da morte do líder revolucionário Fidel Castro que ficou no poder por décadas a ilha vive um momento peculiar. Abertura, burocracia, heranças sociais e a revolução tecnológica do século XXI fazem uma nova "isla bonita" emergir . Trazemos aqui dois documentários produzidos pelo canal Linhas de fuga na ilha para ajudar no que diz respeito a pensar criticamente Cuba em toda sua complexibilidade. Para além de reducionismos e romantismos de direita ou esquerda.
"Cub@" é um documentário que discute as implicações da inserção da tecnologia da internet nesta ilha caribenha. Explorando o debate sobre as relações do uso da tecnologia e suas consequências sociais. O filme foi realizado a partir de imagens e entrevistas colhidas nos anos de 2015 e 2017 em Havana. Uma produção da mídia independente "Linhas de Fuga" e NEXT.
Agradecimentos:
Letícia Bortolon
Nilton Bahlis dos Santos
Carolina Almeida
Subúrbio em Transe
Observatório crítico Cubano
O documentário consiste em uma longa entrevista com integrantes do
"Observatório Crítico" de Cuba, grupo de cunho anarquista com um olhar
peculiar sobre a realidade política e social deste país. A entrevista
realizada em meados de 2015 retrata um momento especial da ilha: o
processo de abertura com os Estados Unidos e também mudanças políticas
culturais, tais como a disseminação da internet e o avançar da economia
mista. Neste primeiro bloco os entrevistados discutem o atual momento
político de Cuba: a relação com os Estados unidos, direitos civis,
militância politica.
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